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Porque o governo simplesmente não imprime mais dinheiro?

Nos dá um aperto no coração quando vemos cenas lamentáveis de cidadãos em estado de pobreza extrema. Ao vivo ou nos noticiários, a realidade dura e crua nos mostra famintos, sem-teto, mendigos… Por mais rico que seja um país, sempre haverá indivíduos em situações assim, invariavelmente. É uma conclusão simples e lógica: essas pessoas passam fome e são miseráveis por um motivo – elas não têm dinheiro o suficiente para suprir as mais básicas necessidades.

O dinheiro tem um papel essencial em todos os aspectos da nossa vida e em todas as atividades, não só na organização econômica, como cultural, política, na geração de empregos, no consumo, etc. Por isto chega a ser incompreensível de entender que pessoas bem informadas, muitas até com diplomas universitários, terminem seus cursos sem nunca ter tido uma aula sobre esse poderoso estruturador das sociedades.  A solução parece óbvia.

Se elas, as pessoas precisam de dinheiro e é o governo quem produz esse dinheiro, por que ele não dá um jeito? E se o governo imprimisse mais dinheiro? Já se perguntou? Bem, o fato é que muita gente se pergunta isso, mas não é nem de longe tão simples e prático quanto parece.

Isto de imprimir dinheiro para tentar resolver problemas financeiros já foi tentado aqui no Brasil de forma bastante desastrosa, foi em 1955, o então presidente Juscelino (JK), entendeu que seria uma boa ideia e emitiu mais papel-moeda para ajudar a financiar seu projeto de fazer o Brasil avançar 50 anos em cinco. Conseguiu construir Brasília, mas deixou uma herança que durou quase quarenta anos, até o surgimento do plano cruzado em 1994.

Logicamente que a inflação não foi somente devido à emissão de dinheiro em 1955, mas foi o principal motivo porque iniciou o processo inflacionário.

Imprimindo mais dinheiro, inicialmente haveria uma euforia devido ao aumento do poder de compra. As pessoas gastariam mais em bens e serviços como alimentos, eletrodomésticos, restaurantes etc. e isso impulsionaria a economia em todos os setores, desde os profissionais liberais (advogados, jornalistas etc.) até o comércio e a indústria. Ou seja, ocorreria um aumento geral de venda e lucros. Até aí tudo bem, mas e depois?

Mais dinheiro circulando significaria, automaticamente, maior demanda pelos bens e serviços produzidos – que são o valor real da economia, e não o dinheiro, que é só um meio de troca. E é simplesmente impossível aumentar de súbito a produção desses bens para acompanhar o dinheiro entrando. Gradativamente, as empresas atingiriam seu limite e as pessoas, com dinheiro sobrando, continuariam querendo comprar. Mas acontece que haveria muito dinheiro para comprar, sem bens o suficiente para vender.

Para imprimir mais dinheiro, o governo teria que enganar o mercado e o Congresso Nacional
Hoje em dia, um país só imprime dinheiro para substituir notas antigas ou se a economia crescer, dessa forma as empresas iriam precisar de mais notas para pagar salários, comprar equipamentos e etc. Mas vamos supor que algum governante quisesse fabricar ilegalmente mais grana para turbinar a economia. Primeiro, seria preciso convencer os técnicos da Casa da Moeda, órgão responsável pela emissão de notas no país, a topar a malandragem. Teria que ser uma impressão quase secreta, e ninguém poderia ficar sabendo.

A dificuldade seguinte seria colocar o dinheiro na praça. A cada trimestre, a Casa da Moeda é obrigada a publicar um relatório, chamado de Programação Monetária, informando a quantidade de notas impressas no período. Como o relatório fica na internet, publicado no site do Banco Central, algum investidor poderia notar a falcatrua.

Os dados do relatório poderiam ser mascarados com a divulgação de um valor menor, por exemplo. Mas, para gastar a grana extra, o governo precisaria incluí-la no seu orçamento anual documento que especifica e libera os gastos do governo. Como o orçamento é acompanhado de perto por deputados e senadores, seria quase impossível furar esse cerco.

Se mesmo assim o dinheiro ilegal conseguisse chegar às ruas, a saída mágica seria transformada em dor de cabeça. O primeiro perigo do excesso de dinheiro é a inflação. O raciocínio é simples: antes da enxurrada de dinheiro, 1,50 real comprava um pão. Com mais grana na praça para a mesma quantidade de pãezinhos produzidos, sobraria mais moeda para pagar cada pão. Logo, o produto subiria para, por exemplo, 3 reais, depois para 10 reais, e assim por diante. Para entender como funciona a inflação, clique aqui.

Os problemas de notas sobrando continuariam. Como a moeda perderia valor, o poder de compra dela ficaria menor e a confiança na economia desabaria. Isso já aconteceu, por exemplo, na Alemanha. No período entre as guerras, de 1918 a 1939, o marco ficou tão desvalorizado que eram necessários carrinhos de notas para comprar um simples sorvetinho.

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